
O MERCADO MUNICIPAL DE RIO PRETO E O NOVO CENTRO GASTRONÔMICO REGIONAL
A Proposta - Projeto
Os estudos realizados apontaram uma falta de entrosamento físico entre os importantes espaços e edifícios do centro da cidade, o que a descaracteriza e empobrece no ponto de vista da paisagem urbana, de arborização, drenagem do solo, passeios de pedestres, acessibilidade, espaços de convivência e lazer subutilizados ou inexistentes, etc. Duas constantes são preponderantes em detrimento das questões levantadas: a especulação imobiliária e a prioridade dos automóveis.
A integração física entre o Mercado e o Poupatempo, por sua vez, se estendendo a Prefeitura, será feita através do prolongamento da praça do Mercado e sua união com a praça do Poupatempo, que atravessa e substitui a Rua Antônio de Godoy nesse trecho.
Para continuar com a viabilidade do trânsito local, um amplo estacionamento de 186 vagas será projetado no sub solo, retirando as vagas de estacionamento nas pistas laterais ao lote, o que aumenta o leito carroçável dessas vias e seu escoamento.
Como a quadra do Mercado possui lotes subutilizados apenas disponíveis a especulação imobiliária e em alguns casos apresentam riscos a população local, apenas o Edifício Nagib Gabriel, que esta em condições de uso, será mantido, as demais edificações serão desapropriadas e suas áreas integradas à proposta.
A função dessa Nova Praça se estende a sua ligação com as Praças Rui Barbosa e Dom José. Essa ligação acontecerá com a criação de novas visuais, os edifícios de esquina do lote do Mercado, na Rua XV de Novembro, sendo demolidos abrem essas visuais, da Nova Praça até a Praça Rui Barbosa.
As funções do Mercado serão ampliadas para torná-lo um centro gastronômico de referência regional. A função desse centro é de extrapolar a função mercantilista e local do Mercado atualmente, para uma função educacional, de lazer, de socialização da população e de geração de renda para a cidade por tornar-se também um centro turístico.
Para isso, a área do Mercado será aumentada com a criação de novos espaços para venda e de restaurantes diversos, uma escola de educação gastronômica aberta à população, equipada com auditório, biblioteca da gastronomia brasileira, salão de exposições e eventos, salas para aulas expositivas e práticas, cozinhas experimentais e um grande restaurante abastecido por essas cozinhas e suas descobertas.
O edifício do Mercado Municipal como patrimônio tombado, deverá ser mantido nas suas características arquitetônicas iniciais, mantendo os preceitos da Carta de Veneza. Para resolver as questões técnicas de abrigo das suas funções, o uso do subsolo será intenso, onde serão abrigados, o estacionamento, as áreas de serviço como: carga e descarga, refeitórios, vestiários, área de máquinas, geradores, ar condicionado, segurança, administração, depósitos seco, depósito refrigerado, área de lavagem e limpeza, depósito de água de reuso, etc.
A estruturação da Nova Praça será pautada pelos edifícios do Mercado e seu Anexo, o edifício do Poupatempo, o máximo de área será liberada para arborização, permeabilidade do solo e criação de espaços de sociabilidade e
eventos, como área para feiras livres de produtos locais, exposições de artesanato, de artes, etc.
A característica do edifício histórico de ser um galpão isolado no lote, retangular, imponente, um belo exemplo do art déco, que objetiva o equilíbrio e movimentos ascendentes, não será alterado. O que será subvertido, será o seu acesso, ao invés de ascender por uma escada ao nível do mercado, o visitante descerá ao novo mercado que se estenderá por boa parte do sub solo do lote. Permanecendo no nível original, um mezanino, como se o plano do piso original flutuasse e se desprendesse das paredes laterais, abaixo dele, o novo mercado.
O objetivo da intervenção é através do uso da memória do patrimônio histórico, realizar ligações espaciais e visuais com os pontos relevantes da região, criando espaços de convívio, trabalho e de crescimento cultural, com e através também da ligação desse patrimônio com o tema contemporâneo da gastronomia.

Na quadra permanecem o Mercado e o Edifício de Escritórios, o restante dá lugar a Nova Praça que também ocupa a rua que antes separava e agora uni com o Poupatempo.